terça-feira, 26 de junho de 2018

Esquerda e seus dogmas

Rodrigo da Silva

Fabio Assunção pode ser hetero, rico, branco, truculento e viciado em cocaína. Lindbergh Farias também. Aécio Neves não.

Lula pode ser hetero, rico, branco e assumir publicamente, como já fez à Playboy, que é machista e que o lugar da sua mulher é dentro de casa, cuidando dos filhos. Silas Malafaia não.

Nicolás Maduro pode ser hetero, rico, truculento e ridicularizar inúmeras vezes em público os homossexuais. Che Guevara também. E Evo Morales. E Fidel. Magno Malta não.

Tico Santa Cruz pode ser hetero, rico, branco e racista, como foi quando chamou Fernando Holliday de "capitão do mato". Jair Bolsonaro não.

Ciro Gomes pode ser hetero, rico, branco, truculento, nacionalista e assumir que o principal papel de sua mulher é dormir com ele. Donald Trump não.

Marcelo Freixo pode ser hetero, rico, branco e machista, como acusa sua ex-esposa, que confessou se sentir "acuada por um período longo" desde o término de seu relacionamento, quando passou a ser "caluniada, por ele e seus companheiros de partido, o clã dos esquerdo-machos". Marco Feliciano não.

A questão nunca foi a luta do bem contra o mal, travada em defesa das minorias. É "a moral deles e a nossa".

No Brasil, você só precisa defender uma visão de mundo à esquerda para ser tratado como um humanista, mesmo quando é um discípulo da truculência. Basta assumir também uma posição política antagônica à esquerda, no entanto, para fatalmente ganhar o rótulo de tirano, mesmo quando propaga a tolerância.

Por aqui, há os que possuem a licença de praticar violência e preconceito e há os que são impedidos. E a única coisa que os separa, como as redes sociais vêm mostrando dia após dia, não é gênero, cor ou classe social: é a filiação partidária.

Facebook



Nenhum comentário: