quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Patrulhamento Ideológico vira Politicamente Correto

Jorge Serrão 

O Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico cumpre sua missão mais canalha nesta eleição 2018. Desconstruir imagens verdadeiras, abusando dos conceitos falsificados para corromper a realidade se tornou um vício praticado pelo extremismo esquerdista. Na era das comunicações digitais instantâneas, vivemos um fenômeno interessante e perigoso: o velho patrulhamento ideológico precisou se disfarçar de “politicamente correto”. É a pura contravenção da moral.

O fenômeno é fácil de explicar. As expressões usuais e corriqueiras, que todos nós usamos no dia-a-dia, com familiares, com amigos ou que vemos em telenovelas e filmes, quando atribuídas a uma figura pública, têm sido utilizadas contra ela, para distorcer o real significado do que foi dito ou praticado. Em se tratando de um político considerado adversário/inimigo, o patrulhamento difunde rótulos falsificados que arrasam com a imagem pública do indivíduo.

O Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico joga muito sujo e distorce a verdade e a realidade. A perseguição é tão eficaz que nenhuma figura de vida pública pode mais fazer uso de expressões usuais como qualquer cidadão. Tudo que é dito acaba explorado pelo Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico. Qualquer cidadão pode se referir ao torcedor de um time famoso como “mano”. Se algum político o fizer, será chamado imediatamente de racista, preconceituoso e mais 500 adjetivos de uso exclusivo do Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico.

Se este mesmo político adversário se referir ao sexo oposto, seja homem ou mulher, com alguma expressão de uso corrente, que todos usamos diariamente, tipo TPM, Corno, Mal Amado(a), ele será trucidado pelo Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico. Acabará acusado de Homofobia, Fascista, Nazista e mais 500 adjetivos similares e completamente fora do contexto verdadeiro em que foi originalmente empregado.

Nos barzinhos da vida, é fácil testemunhar pessoas chamarem amigas de “assanhadas”, apenas pelo prazer de promover uma brincadeira com a figura mais tímida que ousou olhar para um rapaz de outra mesa. Se um político adversário for flagrado apenas participando da brincadeira, o Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico se encarregará do seu linchamento público. O sujeito será transformado em “inimigo das mulheres”.

Mas quando se trata de uma figura política “amiga” dos patrulheiros, o entendimento é diferente. O Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico informa a todos os leitores, telespectadores e cidadãos que o político utiliza as mesmas expressões chulas que o “povo”, porque suas origens são as mesmas, “populares”.

Se esta figura política amiga disser que foi até o Nordeste comer buchada de bode e que tem um pé na cozinha, ele será considerado um sociólogo militante. De tanto ler livros sobre a população brasileira, ele, metafisicamente, se consolida como uma figura “amiga” da população mais humilde e carente do Brasil. Ou seja, os patrulheiros inventam um personagem que não existe. Se for aliado, ele é lindo. Se for adversário/inimigo, acaba descrito como um monstro.

Um povo se expressa de acordo com sua cultura, sua história, seus usos e costumes. O Patrulhamento Ideológico disfarçado de Politicamente Correto ignora tal princípio e pratica uma grande hipocrisia. Aqueles que defendem ostensivamente o autoritarismo do politicamente correto deveriam atentar muito mais para o conteúdo do que à forma. Só que eles não têm compromisso com a Verdade – definida como “a realidade universal permanente”.

O Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico promove uma censura a todos que deseja combater. E para obter sucesso, eles distorcem as palavras quando lhes interessa. Essa é a grande canalhice. E ela vem disfarçada de ares do Politicamente Correto. O que é permitido ou não é definido, artificialmente, pelos intelectuais orgânicos, os falsos deuses da sabedoria.

Ainda bem que existe uma “vacina” social contra tais ditadores pretensamente democráticos. O Alto Comissariado do Patrulhamento Ideológico, tão presente nos veículos tradicionais de mídia, está com os dias contatos. A população, interligada nas redes sociais, consegue checar, em tempo real, se de fato existe ou não conotação pejorativa na atitude ou discurso praticado pela vítima dos patrulheiros.

Os patrulheiros são fáceis de identificar. Não querem mudanças estruturais no Brasil. Desejam mais poder estatal para subjugar e tutelar as pessoas. Só defendem a Liberdade quando ela lhes favorece. Do contrário, recomendam e praticam a repressão contra seus alvos de perseguição. Enfim, essa é a essência do verdadeiro fascismo dos companheiros patrulheiros.

Eles foram os grandes derrotados no 1º turno eleitoral. Apesar da insistência na canalhice, também serão os grandes perdedores no 2º turno.

Alerta Total

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Quatro generais coordenam programa de Bolsonaro

Renata Agostini e Leonencio Nossa

Generais atuam com quase 30 equipes temáticas que trabalham, em Brasília, na formulação do plano de governo do candidato do PSL; Heleno é o ‘comandante-geral’

Um grupo de fiéis aliados egressos das Forças Armadas, liderados por três generais do Exército, vem ampliando seu espaço de influência na campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Equipes temáticas, especialmente da área de infraestrutura, que estavam sob comando do economista Paulo Guedes, no Rio, estão sendo integradas aos debates conduzidos pelos generais.

Com isso, parte das discussões passou para a órbita de Oswaldo Ferreira, um dos homens fortes do grupo de Brasília. Esse time, que foi montado por Bolsonaro no início do ano, é composto por generais de sua confiança. Ex-chefe da missão de paz da ONU no Haiti, o general Augusto Heleno desfruta de grande proximidade com Bolsonaro, é conselheiro para assuntos de segurança e defesa e tem atuado em temas de relações exteriores. Ferreira e Aléssio Ribeiro Souto completam o grupo de generais que coordenam debates técnicos sobre diversas áreas do eventual governo.

O movimento é visto dentro da campanha como natural, já que havia grupos diferentes trabalhando em sugestões para as mesmas áreas simultaneamente nas duas cidades. Guedes segue mantendo forte liderança sobre os economistas e especialistas civis que discutem no Rio as diretrizes econômicas de um possível governo Bolsonaro. Esses colaboradores repetem que ele tem a palavra final. Alguns se referem a Guedes até como “chefe”.

Os generais em Brasília trabalham a partir da direção apontada por Guedes, que mira em corte de gastos e enxugamento da máquina pública. Não há, contudo, hierarquia entre os generais e o coordenador do programa econômico. Os generais, que trabalham numa sala alugada no subsolo de hotel quatro estrelas de Brasília, respondem diretamente a Bolsonaro.

Lá, eles têm a contribuição de pesquisadores e de militares de outras patentes, como um brigadeiro e coronéis da Aeronáutica e do Exército. Ao total, são quase 30 equipes temáticas envolvidas na elaboração do programa de governo, em discussões sobre educação e gestão de tecnologia.

Com relação de longa data com o candidato do PSL, Heleno é em quem Bolsonaro mais confia. É uma relação de pai e filho, descrevem pessoas próximas aos dois. Eles se conheceram ainda nos anos 1970, quando Bolsonaro era cadete na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e Heleno, um tenente que treinava a equipe de pentatlo. “Era um aluno esforçado”, lembra o general.

A relação ficou mais próxima após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Em abril do ano passado, em entrevista ao Estado, Bolsonaro afirmou que Heleno ocuparia em seu governo a posição que quisesse.

Em julho, durante viagem de pré-campanha a Marabá e Parauapebas, decidiu que Heleno, que o acompanhava, seria o candidato a vice em sua chapa. O PRP, partido de Heleno, não quis a parceria e o candidato acabou escolhendo para o posto Hamilton Mourão – que conhece há décadas, chegou a ser seu comandante no Exército, mas tem causado embaraços à campanha. Heleno vem sendo cotado para chefiar o Ministério da Defesa, mas tem mostrado influência em outras áreas, como relações exteriores.

Mais discreto e despojado dos oficiais da reserva que estão na campanha de Bolsonaro, o general Oswaldo Ferreira, ex-chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército, foi levado para a campanha a convite de Bolsonaro, mas aceitou a missão somente após assegurar que Heleno, por quem nutre grande admiração, estaria no time.

Transportes. Ferreira é colega de turma e amigo de Mourão, mas hoje tem papel mais estratégico na campanha que o vice. Ele vem sendo apontado como um nome forte para assumir a pasta dos Transportes ou a coordenação de governo.

Ex-chefe do Centro Tecnológico do Exército, o general Aléssio lidera discussões sobre educação, ciência e tecnologia. Foi levado para a campanha por Ferreira, com quem atuou no Departamento de Engenharia e Construção quando ambos eram coronéis.

Encontraram-se casualmente no início do ano, após anos sem contato. “No meio militar, a gente passa 20 anos sem se ver, mas somos amigos, porque temos em comum a cor da pele emblematizada na roupa”, diz.

As propostas devem servir a mais de uma pasta em um governo Bolsonaro, que tem no radar os ministérios da Educação, Esporte e Cultura e outro de Ciência, Tecnologia e Comunicações.

O Estado de São Paulo