quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O Olho Grande da Esquerda

Sérgio Alves de Oliveira

A escolha do título desse texto foi muito ponderada. Titubeei bastante até chegar a ele. A primeira opção que imaginei seria “O ‘animus apropriandi’ da esquerda", que significa “a  intenção que tem a esquerda de apropriar-se". Mas apesar da grandeza do latim e das grandes sentenças e verdades que essa língua “morta” deixou gravadas na pedra de mármore da sabedoria  ,na verdade esse título originariamente cogitado teria relativa dificuldade de compreensão para uma maioria sem afinidade com  esse idioma. Mas tanto um quanto o outro, pelo qual optei, em última análise têm igual significado.

Apesar de eu também ter sido contaminado pela “beleza” do discurso da esquerda na minha juventude, finalmente acordei dessa ilusão enganosa e comecei a enxergar o tamanho da falsidade que estava por trás dessa doutrina. Mas também tenho consciência que o discurso oposto, o da “direita”, igualmente não me serve. Mas se eu não tiver outra alternativa e for forçado a optar por uma delas, naturalmente  enquanto não surgir algum modelo novo que me convença, entendo que o discurso da chamada direita é “menos pior”, por ter menos vícios que o outro.

É nesse exato sentido que  tenho  convicção plena que seria possível montar um sistema político socioeconômico  com o arcabouço do capitalismo ,porém mais justo e sobretudo inteligente, recepcionando e tornando efetivas nele  todas as principais promessas do socialismo/esquerda, que nunca passaram do discurso, e por consegüinte jamais foram cumpridas ou aplicadas  em qualquer parte do mundo.

No SOCIAL-CAPITALISMO que tenho em mente, por exemplo,  acabaria a compra e venda de trabalho, a mais-valia e a exploração do trabalho pelo capital, mediante uma simples mexida nos critérios de remuneração do trabalhador, que não teria mais salário fixo ,mas variável, relacionado ao “quantum” da produção, o qual  se tornaria uma espécie de sócio do patrão nos resultados da produção, em dimensão a ser definida.

Essa modalidade não seria evidentemente uma conciliação entre o CAPITALISMO e o SOCIALISMO, porém, com certeza, entre o CAPITAL e o TRABALHO, que fariam as “pazes”, após milênios de “pendengas”, e passariam a trabalhar juntos , em plena  harmonia , dentro de objetivos comuns. O “investimento” necessário à essa mudança de certo modo revolucionária seria puramente de ordem PSICOLÓGICA, oriundo de uma espécie de fenômeno estudado em “análise transacional”, chamado ESTÍMULO POSITIVO CONDICIONADO.

Ora, o ganho do trabalhador, e também do “patrão”, estariam condicionados aos esforços e capacitação de ambos, bem como  aos efetivos resultados da produção. Seria uma parceria inédita entre o capital e o trabalho, ambos movidos pelas mesmas forças psicológicas que fariam a produção econômica dar um estupendo salto, aumentando o PIB extraordinariamente, favorecendo ambas as partes partícipes da produção, além da economia do país, sobretudo. Nenhum outro investimento seria necessário. Bastaria inteligência e alguma psicologia, bem como libertação de certos  “ranços” antagônicos do passado , cultivados durante  séculos.

Porém não é objetivo desse escrito constituir um “tratado” sobre a esquerda, socialismo, e correlatos. Sobre esses temas a literatura é  boa e quase infinita . O objetivo que tenho em mente é modesto, buscando abordar meramente as principais características da esquerda em suas diversas variantes, bem como suas relações com a invasão de imigrantes indesejados para alguns países, que hoje se acentuou mais que nunca.
E no momento em que “acordei” do sonho  socialista,  como antes mencionado, tomei consciência que não fazia parte dos seus propósitos a CONSTRUÇÃO DE RIQUEZAS, pelo trabalho das partes diretamente envolvidas na produção . O único propósito dessa doutrina era ADONAR-SE DA RIQUEZA ALHEIA, ou seja, apropriar-se e usufruir dos bens econômicos que outros produziram com seus esforços.

Na verdade só o capitalismo valoriza o trabalho, seja do patrão ,seja do trabalhador.  A esquerda não têm essas preocupações num primeiro plano. Sua  prioridade é a de  adonar-se do que os “outros” construíram em suas vidas.

Mas chegou um dado momento da longa caminhada da esquerda  que ela concluiu que seria preciso avançar mais  nos seus pleitos. Além de estar muito difícil  tomar o lugar e a riqueza dos “burgueses”  do próprio país  ,”ainda” capitalista, ela certamente viu claro que mesmo que saísse vitoriosa nessa demanda,ou seja, que conseguisse usufruir de toda a riqueza nacional, no  que pertine  aos países menos desenvolvidos, ou pobres, ainda haveria o inconveniente do  “hercúleo” trabalho de construir um país próspero,  passando da condição de pobre  a país desenvolvido.

Ora, isso seria uma tarefa difícil  por  envolver muito trabalho pela frente, algo que nunca foi muito atraente à esquerda. Sua preferência esteve sempre  em ganhar tudo prontinho e só usufruir da obra  de outros.
Então  a esquerda passou a mobilizar-se não só para tomar para si os bens dos outros, mas também a partir de então para tomar as rédeas  e as riquezas dos países que outros construíram.

E como esses países geralmente optaram pela chamada democracia, bastaria uma campanha de “exportação” em massa dos seus nativos ,até clandestinamente, para esses países-alvo. Em algum  tempo essa gente  formaria maioria, elegendo os seus para governar e fazer as leis.  Sem dúvida essa é uma nova forma de assalto da esquerda: o assalto a outros países.

As “soberanias” de nações que foram demasiadamente  tolerantes com essa política da nova esquerda mundial, especializada  a partir de agora não só mais em assaltar  propriedades nos seus países de origem, porém em assaltar outros  países inteiros, com intentos  de tomar-lhes a direção, sem dúvida foram seriamente afetadas. Grande parte dos europeus, e seus respectivos governos e parlamentos, por exemplo, não mandam  por inteiro mais nos seus países.

Esse mando agora é compartilhado com uma multidão de imigrantes clandestinos e refugiados, com plena cobertura da Organização das Nações Unidas.  Essa situação se tornou tão grave que com toda razão o recém empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Europa havia se tornado uma “bagunça”. E pela atitude radical que esse Presidente tomou em relação à política das imigrações para os Estados Unidos, certamente abriram-se com muita oportunidade as portas para um debate mundial sobre essa questão. É desse debate que estou participando com meus leitores.

Nunca se viu na mídia até agora  qualquer opinião ou mesmo insinuação de que essa “bagunça” a que se referiu Trump tivesse origem e comando na ESQUERDA MUNDIAL. Mas os indícios que levam a essa conclusão são tantos que nenhuma dúvida mais pode haver que isso de fato está acontecendo. Na verdade o discurso e o “carimbo” dessas invasões de países não são de esquerda. Mas a ação é nitidamente de esquerda, do começo ao fim. A “filosofia” é de esquerda. A sua “alma” é de esquerda. O seu “DNA” é pura esquerda.

Em primeiro lugar as características dessas invasões de países têm em comum os seguintes elementos: (1) as migrações clandestinas ou não autorizadas invariavelmente partem de países MENOS  desenvolvidos (mais pobres)  para países MAIS desenvolvidos (mais ricos); (2) os “emigrantes” que saem de uma nação pobre  à procura de outra mais rica no geral pertencem à classe social mais  baixa nos países de origem; (3) os que buscam novos países  jamais optam por nações  desenvolvidas  que vivem sob a bandeira socialista. Por quê, então, os países socialistas não demonstram qualquer sinal de solidariedade com os povos que necessitam abrigo permanente para uma nova vida, oferecendo-lhes esse abrigo?

Alguém alguma vez porventura censurou esses países socialistas e ricos de se omitirem em receber aquelas multidões que procuram abrigo nos Estados Unidos? Eles estariam fora dessa obrigação?

O que não deixa qualquer dúvida é que essas movimentações de grandes massas humanas de um lugar para outro do mundo não surge ao acaso. Existe uma enorme orquestração e detalhado planejamento por trás dessa política que invade soberanias e rouba direitos de outros povos. E o que há de comum nessas invasões é que invariavelmente todos os países de destino  são  ricos e  organizados no modelo capitalista. Sem dúvida a esquerda está por traz dessa “bagunça”.

Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e Sociólogo.

Alerta Total

Tudo “em casa”

Fernão Lara Mesquita

O prefeito pastor Marcello Crivella, do Rio de Janeiro, está negociando a venda para “servidores públicos” dos apartamentos da Vila Olímpica construída pela Odebrecht. A CEF vai financiar, com juros reduzidos, claro, porque como “servidor” não perde o emprego mesmo que não sirva, mesmo que se sirva, não ha risco de inadimplência. As estatais também foram mobilizadas para que seus empregados não percam a oportunidade. Topa-se tudo, ate uma espécie de “leasing” em que cada “aluguel” pago vai sendo somado como se fosse uma prestação até que o felizardo fique dono da propriedade.

Beleza, né? Ah se todo locador fosse igual ao Estado brasileiro! Como não é, a favela paga a conta, como sempre…

O Globo, que deu a auspiciosa noticia e chamou-a na 1a pagina, lembrou em destaque as queixas de australianos e argentinos sobre a qualidade dos apartamentos na Olimpíada de modo que a favela que não estranhe se depois de pagar mais este mimo aos “funças” for cobrada pelas reformas que eles vão exigir, possivelmente fazendo greves onde elas são mais eficientes, ou seja, em “áreas sensíveis” como saúde, transporte ou pagamento das aposentadorias miseráveis dos favelados, como de costume. Em caso de briga interna, governo x servidores ou servidores x servidores pelo melhor pedaço da presa, aí a greve se instala no setor de arrecadação de impostos, o único órgão de todo o vasto organismo da administração pública brasileira que ainda mostra algum tipo de “sensibilidade”.

A notícia sai um dia depois que o governo “festejou” o déficit primário de “apenas” R$ 156 bilhões, numero alcançado graças à repatriação de pouco mais de R$ 45 bilhões de dinheiro escondido no exterior, coisa que só acontece uma vez na vida. O déficit real foi, portanto, de R$ 201 bilhões, contra o que o “dream team” anunciou, energicamente, que vai “contingenciar”  R$ 4,67 bi do orçamento…

As estatais, por sua vez, prosseguem no seu processo de “ajuste” de contas segundo as melhores práticas de “governança corporativa” transferindo impiedosamente grossas fatias do seu excesso mórbido de empregados para a Previdência via planos de aposentadorias incentivadas, isto é, precoces e aumentadas. É um expediente fulminante. O cara, normalmente enfiado lá dentro por algum político, sai da conta do governo e dos ricos acionistas da Petrobras, da Eletrobras e etc., e cai na conta dos “beneficiários” do desemprego, da deseducação, da insegurança, da insalubridade, do desatendimento na hora da doença e da miséria geral que resulta dos grandes deficits nacionais. E as ações sobem na Bolsa e todo mundo ainda aplaude o “ganho de eficiência” assim conquistado.

Por essas e outras, o IBGE registrou que a diferença média dos salários pagos no setor público e no setor privado subiu de 59% a mais para o setor público em 2015 para 64% a mais em 2016, e que o numero de desempregados bateu recorde com 12 milhões e 300 mil chefes de família na fila do desespero extremo.

Foi a primeira vez em tanto tempo que já não me lembro da anterior, que um jornal – a Folha de S. Paulo – deu manchete ao assunto que, se houvesse jornalismo honesto no país empurrado à profundidade a que chegamos, não deveria sair das manchetes nem um único dia sequer. O jornal não chegou a mencionar explicitamente ou especular com “especialistas” a relação direta de causa e efeito entre a gordura mórbida do estado e a esqualidez de faquir da nação brasileira, o que seria pedir demais, mas ao menos deu-se uma manchete com o assunto do qual o leitor mais atento poderá eventualmente deduzi-la já que, na mesma edição, destaca que as Minas Gerais de Fernando Pimentel, do PT, que declarou estado de calamidade e pediu ao governo federal mais dinheiro dos miseráveis para sustentar o seu funcionalismo, continuou contratando a rodo neste ano da graça de 2017 que se inicia. Só neste mes de janeiro que acaba de acabar nomeou 1.867 funcionários novos. Também aumentou de 9 mil para 11 mil o salário dos funcionários do “poupatempo” mineiro e “promoveu” os da Secretaria da Fazenda (os encarregados da arrecadação de impostos que agora, no governo federal, têm “participação nos lucros” como na época de d. João VI) com um aumento de R$ 2,5 mil no salário. Já os 15 “conselheiros” da Cemig, três dos quais são secretários de Pimentel, tiveram o terceiro aumento do “jeton” desde 2015. O mimo por reunião subiu de R$ 7,1 mil pra R$ 14,3 mil por enquanto. Pros barnabezinhos, tipo professor e outros servidores que realmente servem, Pimentel tem atrasado os salários de fome desde o inicio de 2016…

Não obstante, graças ao esforço ingente do jornalismo pátrio para bem informar, o Brasil que pensa que raciocina ainda acredita que o que vai mudar ou não o seu destino é a escolha do herdeiro do trono de Teori Zavascki na relatoria dos feitos e acontecidos dos ladrões de casaca da Lava Jato, aquela operação que só “prende e arrebenta” do segundo escalão para baixo daquela pequena parcela dos que assaltam a riqueza da nação tambem por fora da apropriação indébita sistemática que está chancelado pela lei e garantida pela constituição…

Essa momentosa questão, como é adequado que aconteça numa “democracia representativa”, será decidida num quarto hermeticamente fechado do 2º andar do Anexo 2 do STF por um grupo altamente secreto de “servidores da Secretaria Judiciária” que, segundo eles próprios afirmam e dão fé – que é quanto basta neste nosso sistema inteiramente estruturado na boa fé e na confiança – que tudo será decidido aleatoriamente pelas artes de “um algoritmo”, que pinçará o nome do escolhido entre os quatro integrantes da 2a turma do STF à qual, incidentalmente, aderiu especialmente para a ocasião o ministro Edson Fachin.

VESPEIRO