sábado, 19 de outubro de 2013

A Morte da própria Política

Por Milton Pires
Uma das tentações mais fortes a que pode ser submetido no Brasil um funcionário público, médico ou não, é a do “diagnóstico administrativo”. Desafio qualquer um de vocês a negar que, uma vez em contato com departamentos de recursos “humanos”, setor “pessoal”, ou qualquer coisa parecida, não tenha saído de lá furioso acusando quem atende naquela área de ser desinformado, desorganizado ou corrupto, mas procurando sempre definir tudo numa palavra só.

Afirmo eu que no Brasil nada pode ser mais enganoso: a “máquina” não funciona desse modo. O que existe é uma combinação quase perfeita de indiferença, corrupção e incompetência. Acusado, com razão ou sem de um dos defeitos, o “sistema” muda de linguagem deixando com cara de palhaço o pobre diabo que se encontra na frente do guichê.

Essa sensação que mistura raiva, impotência, e abandono vem se alastrando pela sociedade brasileira. Seus frutos são o egoísmo e a indiferença..a perda da capacidade de se comover e da caridade além de uma ânsia constante pela “normalidade” e pelo lugar comum..É nesse lugar comum que o homem sem crítica, que o cidadão vazio e “democrático” se sente acolhido pelos iguais e deixado em “paz pelo sistema”. 

Chefiado por alguém sem rosto, assustado por um terror sem face, esse homem-oco vaga de repartição em repartição preenchendo formulários e apresentando documentos para finalmente ser reconhecido como igual pelos “colegas” de trabalho.
Nada pode ser mais triste do que essa hiperdemocracia, do que essa ditadura dos medíocres que cria a desesperança com relação à política. Dessa sensação de que nada vai mudar surgiram os berços dos monstros...as incubadoras das serpentes...os fornos dos ditadores.

Perigosa confusão se faz quando, ao lembrar de Hitler, Mao ou Stalin pensa-se em “ditadura” pois são todos eles filhos máximos de uma noção doente de democracia. Chegaram ao poder carregados nos ombros dessa entidade fantasma, desse “ser místico”, que tudo pode e que tudo justifica: o povo. Nunca, em toda história da humanidade, depois de 1789 se matou, se prendeu e se torturou tanto quanto em nome desse conceito aberrante, dessa máxima coletividade cuja força é tão grande que esmaga qualquer indivíduo.

Dramático é perceber que tudo que se fez em nome do bem, do belo e do justo espelha-se – durante toda nossa história – na alma de poucos; não na concordância de muitos e que dessa confusão demoníaca entre verdade e consenso resulta o caos que impera na sociedade brasileira.

Em 2003 chegou ao poder no Brasil a ralé da sociedade. Não se entenda nessa definição que me refiro às pessoas sem cultura, pobres ou corruptas. Nada disso se restringe ao nosso país e pouco esclarece no sentido de apontar soluções. Por ralé quero aqui me reportar àqueles que vivem num mundo onde palavras como honra, dever e justiça não fazem sentido algum. 

Isso é assim não por causa de uma personalidade formada na pobreza ou psicopatias mimadas por ricos. Digo que essas pessoas não são imorais, mas amorais e que sua ascensão ao poder só poder ser entendida num contexto de crise de consciência dos melhores..num sentimento de culpa inexplicável metodicamente implantado pela mistura mágica de marxismo com a religião católica.

Nada há que se pleitear no sentido de mudar uma sociedade que não reconhece mais diferenças..no sentido de melhorar um mundo em que não se reconhecem méritos e onde sucesso deve ser motivo de vergonha. Pudéssemos nós todos entender o quão profundo é o impacto da unanimidade e haveríamos de compreender seu efeito sobre a política...sobre essa necessidade constante e inerente à condição humana de mediar conflitos entre os que são diferentes sem fazer da igualdade de pensamento uma religião.

Digo que, entre a ditadura mais cruel e a hiperdemocracia petista em que vivemos, nada de diferente pode sobreviver e que todo pensamento original há de agonizar num mundo sem espaço para filosofia e onde só impera a morte...a morte da própria política.

Milton Simon Pires é Médico.

Transcrito do:  www.alertatotal.net

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

E do Aécio e suas PPP ?

Será que tudo que podemos esperar dele é, além de continuar cobrando impostos extorsivos,  dividir novamente os custos das obras com a iniciativa privada com suas Parcerias Público Privadas ?

O que as pessoas não se dão conta, a maioria, é que além de cobrar impostos para fazer, os governos não fazem e devagarzinho passam a obrigação, assim como quem não quer nada, para a iniciativa particular. Com uma retórica muito bem estudada, eles te convencem à adotar, p.ex.,  uma praça. Isso mesmo, uma praça pública. Eles cobram o imposto, colocam todos seus cabos eleitorais na folha de pagamento do Estado, e é você quem acaba tendo que cuidar de praças públicas, porque o dinheiro para esse fim eles usaram para fazer “política”. Já fazem assim com estradas (pedágio), segurança (guardas de empresas particulares), aposentadorias (previdência privada), saúde (planos de saúde), educação (escolas particulares): “educação é obrigação do Estado”. Lembram ?

Numa grande cidade catarinense, não tendo mais dinheiro a Prefeitura, o Prefeito bolou uma maneira de arrumar e ficar bem na foto: vendeu todos bens públicos, levantou uma bela grana e depois alugou dos novos proprietários, por um preço exorbitante, os mesmos bens para a Prefeitura continuar usando. A coisa só agora está estourando. O aluguel passou dos limites. É mais barato construir novamente, só que agora não tem mais grana, nem onde buscar, e a receita já está toda comprometida.

Que nome devemos dar à essas idéias “miraculosas” ? O dinheiro arrecadado com os impostos, desperdiçam e roubam. Depois, começam os “milagres”. Lógico, depois de levantar todos papagaios possíveis em bancos.

Aécio só terá alguma chance se Serra e Alckmin não o traírem, como ele Aécio fez com os dois nas duas últimas campanhas.

E seria de muito bom tom, antes das eleições, que dessem ordem para o seu Ministro no STF, Gilmar Mendes, desengavetar o processo do mensalinho mineiro. Agora não precisam mais ter medo, pois já foi infringida a ética e embargada a responsabilidade. Liberou geral. Esse processo só terminará quando todos já estiverem lá embaixo ludibriando o diabo em sua própria casa.

TODOS esses atuais candidatos, pelo sistema eleitoral proposto em Capitalismo Social, poderiam concorrer; mas não seriam bancados por partidos políticos nem por financiadores privados. Apenas, teriam que concorrem com outros candidatos, esses muito mais preparados do que eles e não criados e acostumados a meter as duas mãos nos cofres do Estado. Em pouco tempo sobraria dinheiro para pagar professores, formar médicos e honrar seus compromissos, sem ter que dar calote até nos precatórios.

Entre as três duplas com chances de vitória, Lulla/Dilma x Marina/Eduardo x Aécio/Serra, nenhuma trará alguma mudança significativa para o país. Daqui 4 anos estaremos conversando as mesmas coisas, como já vimos fazendo desde 1989.
A única diferença será, caso perca a dupla Lulla/Dilma, o que por enquanto não se configura, é que teremos uma sensível diminuição na politização de toda máquina pública, nos Três podres Poderes. O que o Lullo-petismo está fazendo, trocando técnicos por analfabetos funcionais, mas filiados aos partidos de esquerda, e obedientes à um esquema de tomada total do Poder, corrompendo as regras democráticas, é de perder o sono.

E a tal de direita, quando teve o Poder e a chave do cofre na mão, nada fez para evitar que esse dia chegasse. Agora, corrupta como todos eles, para continuar se locupletando do dinheiro dos impostos e das benesses da Corte, nem mais se opõem à esse projeto de Poder em andamento, desde que possa continuar participando do butim.

A bem da verdade, essas eleições não passam de guerra de quadrilhas. É o roto falando do esfarrapado. E dentro dessa ótica é que o eleitor brasileiro tem que escolher o Presidente da República. É piada.
Os currículos que eles apresentam são forjados. Verdadeiro mesmo só os seus prontuários, mais extensos que os discursos do Fidel.


Capitalismo Social.  Projeto completo: agosto 2012.