quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O que John Williamson, pai do Consenso de Washington, pensa do Brasil ?

Gustavo Kahil

Em entrevista a O Financista, economista avalia que o país poderia voltar a olhar para 1989

SÃO PAULO - Por mais que a sociedade brasileira debata sobre como encontrar uma saída para a própria cilada criada por ela, um consenso debatido e entendido há décadas adormece à espera de ser resgatado e posto em prática para devolver, mais uma vez, o rumo do país ao crescimento sustentável.

No final da década de 1980, perto de 1990, John Williamson, economista britânico, ao perceber que os Estados Unidos estavam prestes a dar um auxílio muito camarada aos países latino-americanos que viviam uma calamidade fiscal, incluindo o Brasil, sugeriu que eles deveriam seguir alguns pontos necessários para “colocar a casa em ordem”.

Cunhava-se ali o “Consenso de Washington”. Tratado por muitos economistas como apenas uma cartilha neoliberal, acabou por servir como um GPS para os países que desejassem viver as décadas seguintes com mais espaço para deliberar sobre o próprio futuro depois de ganhar a confiança dos credores e assim caminhar em prol dos rumos desejados pela própria sociedade.

Em entrevista a O Financista, o economista aposentado do Peterson Institute for International Economics fala a respeito da situação atual do Brasil e sobre o que o país precisa fazer para sair do ambiente de incertezas.

“O problema agora é o baixo crescimento. Este também foi um problema na década de 1990, mas naquela época havia uma crença generalizada de que o crescimento saudável seria retomado quando outros problemas tivessem sido tratados - uma crença que parecia justificada durante o governo Lula. Quando essa visão se mostrou incorreta foi considerada devidamente como um desastre”, disse Williamson.

Veja abaixo a íntegra da entrevista:

O Financista: O senhor acredita que o Brasil pode retornar ao seu rumo com a criação de um novo consenso? Algo como um Consenso de Brasília?
John Williamson: Eu não considero o consenso como algo que um governo pode criar, embora ele deva pensar da mesma forma que a maior parte da população para que um consenso exista.
O que importa, mais do que se existe um consenso ou não, é se as ações do governo são motivadas por uma visão coerente do que os governos podem fazer para melhorar o estado das coisas.
Em retrospecto, foi um exagero imaginar que existiu um consenso em 1989, quando a Guerra Fria terminou e políticas econômicas sensatas foram muito predominantes.
Certamente eu não detecto nenhum consenso hoje. (Se o consenso existe e tem o nome de qualquer cidade, isso me parece sem importância).

O Financista: Quais são, em sua opinião, os elementos fundamentais que o governo deveria perseguir, 20 anos depois, pensando no Brasil?
Williamson: Vou argumentar sobre os elementos que acredito que devam ser perseguidos pelos governos. Estes incluem os principais temas que já foram identificados em 1989, ou seja, disciplina macro, internacionalização, e um papel-chave para o setor privado (como para o governo) na economia.
Os principais temas que surgiram no último quarto de século são a importância fundamental da educação e da importância da construção de instituições sólidas e funcionais.

O Financista: O senhor vê algum paralelo entre o Brasil de hoje o da década de 1990?
Williamson: Não, eu considero os problemas enfrentados pelo governo brasileiro hoje como substancialmente diferentes da década de 1990. O problema dominante na década de 1990 foi a inflação; controle da inflação no início de 1990, e ter certeza de que o controle era permanente até o final da década.
O problema agora é o baixo crescimento. Este também foi um problema na década de 1990, mas naquela época havia uma crença generalizada de que o crescimento saudável seria retomado quando outros problemas tivessem sido tratados - uma crença que parecia justificada durante o governo Lula. Quando essa visão se mostrou incorreta foi considerada devidamente como um desastre.

O Financista: O Brasil conseguirá algum dia chegar a algum consenso sobre o crescimento, ou a fraqueza das suas instituições e a fragmentação política sempre serão um maior impedimento para atingir isso?
Williamson: Concordo que um consenso político em torno do crescimento é útil para alcançá-lo, embora eu duvido que seja essencial para atingir um crescimento rápido. Sobre a questão de se o Brasil nunca vai alcançar instituições robustas e evitar a fragmentação política, gostaria de fazer duas observações: (1) elas, sem dúvida, apresentam sérios obstáculos e (2) eles não são imutáveis.

O Financista: Uma ruptura política, como um impeachment, pode ser vista como uma oportunidade para um novo “contrato social” para os brasileiros e o seu governo?
Williamson: Eu duvido que um impeachment seria seguido por um novo contrato social.

O Financista: Agora, de uma forma geral, você está mais otimista ou pessimista com o Brasil?
Williamson: Gostaria de me definir como esperançoso em vez de decididamente otimista ou pessimista.

O Financista



O Foro de São Paulo: o maior inimigo do Brasil

Mario Guerreiro

Há uns vinte anos, quando Olavo de Carvalho denunciou a existência do Foro de S.Paulo e chegou a mostrar algumas de suas atas como comprovação de suas ideias e finalidades, a grande mídia não deu a menor bola. Omissão dolosa, para proteger o PT?

Alguns midiáticos devem ter pensado que a suposta existência era uma das fantasias da mente conspiracionista de Olavo. Outros acharam que o Foro de fato existia, apesar de ser sido criado por Lula e El Coma Andante à socapa, sem que a mídia tivesse sido notificada da inauguração.

Apesar disso, era coisa sem maiores consequências políticoeconômicas, apenas uma reunião de velhos comunistas saudosistas dos gloriosos tempos da guerra fria e da finada URSS que, como os imortais da ABL, costumavam se reunir todas quartas às 5h. em ponto para tomar chá com torradas e jogar conversa fora.

Até mesmo pessoas bem formadas e bem informadas não deram a menor importância ao Foro, mas nos últimos anos, as coisas mudaram um pouco: os bem informados já sabem que uma das realizações do Foro foi a UNASUL (União das Nações da América do Sul).
Seus membros são quase os mesmos do MERCOSUL, de onde se destacam Brasil, Argentina e Venezuela), ao passo que Chile, Peru e Colômbia, juntamente com o México, fazem parte da Aliança do Pacífico, que recentemente se juntou a ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas, tendo como membros EEUU, Canadá e México), para formar o Acordo do Pacífico.

George W. Bush tinha convidado o Brasil para entrar para a ALCA, mas Lula recusou o convite sob a alegação que era necessário primeiro fortalecer o mercado regional, o MERCOSUL, para posteriormente pensar em uma aliança maior com outro bloco econômico. Será que era mesmo isso que ele alegou na sua recusa ou mera desculpa esfarrapada para acobertar outros interesses?

Com a criação da Aliança do Pacífico, Obama anunciou sua intenção de fazer um acordo com a Comunidade Europeia gerando, assim, o maior bloco econômico do mundo.

Mas, não tendo entrado para a ALCA, o Brasil está fora desse fabuloso mercado em que uma das razões era uma competição melhor com a China que, nos últimos anos, tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil.

Hoje, o Brasil faz com a China o que as esquerdas raivosas acusavam o Brasil de fazer com os EEUU: exportar matérias primas e importar produtos industrializados, para o desalento da indústria nacional. Mas como a China é um país, metade comunista, metade capitalista – “um pais, dois sistemas”, como dizia Deng-Chiao-Ping – as esquerdas não se incomodaram nem um pouco com o desaquecimento da nossa indústria.

Desde que o PT assumiu o poder em 2002 e se mantém no mesmo há 12 anos, que eu tenho considerado nossa política externa uma coisa canhestra, desastrosa e terceiromundista.

A começar pela criação do MERCOSUL, uma área de supostamente livre comércio com a Argentina, um país fortemente protecionista; com a Bolívia, um país que só tem gás para vender e pouco dinheiro para comprar; com o Paraguai, um país cuja maior receita vem do contrabando e da inundação, na América do Sul, com mil bugigangas Made in Taiwan e, por fim, com a Venezuela, uma monocultura do petróleo empobrecida pelo chavismo.

De um ponto de vista econômico, o MERCOSUL é um completo fracasso! O que me permite levantar a suspeita de que não se trata de um mercado econômico de fato, mas sim de um mercado político estreitamente ligado a UNASUL cujo telos precípuo é o fortalecimento dos vínculos com determinados Estados da América do Sul. Sim, pois estão no MERCOSUL Brasil, Argentina, Bolívia e Venezuela (que entrou após a saída do Paraguai por ter dado um impeachment no tresloucado esquerdista Fernando Lugo).

Minha hipótese é de que que tanto o MERCOSUL como a UNASUL foram ambos criados de acordo com um projeto mais ambicioso desconsiderando os interesses econômicos das suas nações componentes em nome dos interesses políticos transnacionais de uma futura União das Repúblicas Socialistas da América do Sul, a URSAS.

O fato é que desde sua criação, por influência direta do Foro de S.Paulo, as esquerdas assumiram o poder com Chávez na Venezuela, Lula no Brasil, o casal Kirchner na Argentina e Evo Morales na Bolívia. Não por acaso países pertencentes ao MERCOSUL e a UNASUL.
Venezuela, Brasil e Argentina não por mero acaso são países que, em 2015, enfrentam graves crises politicoeconômicas, ao passo que os países da Aliança do Pacífico (Chile, Peru e Colômbia) não só não enfrentam crises do mesmo quilate, como também são os países que mais crescem na América do Sul!

De minha parte, tenho razões para suspeitar que essas megacrises, juntamente com um desemprego uma inflação crescentes dos supramencionados países deve-se, em grande parte, a três fatores conjugados: Foro de S.Paulo, MERCOSUL e UNASUL, que tem orientado as desastrosas políticas externas de países como Venezuela, Brasil e Argentina.

E os índices macroeconômicos só confirmam os nossos 12 anos de precariedade geral. Eis apenas alguns deles: (1) O Brasil só participa em cerca de 1% do comércio internacional, (2) ocupa a 123.o lugar no ranking internacional de qualidade dos portos – e esta posição não deve ser muito diferente das da qualidade dos aeroportos e das estradas -, (3) O Brasil está no 48.o lugar em competitividade econômica. Disponho de muitos outros dados alarmantes, mas acho que esses 3 já dão uma ideia da coisa.

Mas o como tem agido, especialmente, a política externa brasileira? Em geral, até um cego pode ver a ausência da promoção dos verdadeiros interesses da nação e a presença da defesa dos interesses do comunismo transnacioanal representado pelo trio fantástico: Foro de S.Paulo, MERCOSUL e UNASUL.

Isso se revela nos empréstimos bilionários feitos, principalmente, pelo BNDES, sendo alguns deles com cláusulas contratuais secretas – só podendo serem reveladas 20 anos após sua realização – a ditaduras de esquerda da África e do Caribe, como é o caso da reconstrução do Porto de Mariel em Cuba. E porque não investir na modernização de nossos portos jurássicos? Ora, porque isso só atende aos particulares interesses do Brasil.

Tais empréstimos tem cumprido uma tripla finalidade: 1) Ganhar a simpatia de ditaduras de esquerda para o Brasil modificar as regras da ONU, de modo a ocupar um lugar permanente no Conselho de Segurança. Para que? Para dar pitacos, não decidir nada, diante de 5 potências bélicas e econômicas e ainda ter que pagar pelo lugar ocupado?! 3) para faturar propinas dos ditadores enviadas para o propinoduto dos políticos do PT, PP e PMDB?

Isto é uma forte violação da Constituição, uma vez que empréstimos internacionais têm que ser submetidos ao aval do Congresso Nacional e não levados a cabo por atos autoritários do Poder Executivo!
Mas minha suspeita é de que somente estão em jogo os interesses da UNASUL, não os interesses do Brasil, a não ser os de alguns brasileiros corruptos. E essa suspeita cresce bastante com o patético episódio da expropriação de duas refinarias de petróleo da Petrobras na Bolívia valendo cerca de dois bilhões de reais!

E conversando com um funcionário da Petrobras ainda tive que ouvir esta pérola digna de um megainvestidor como George Soros, que perdeu alguns bilhões de dólares no mercado acionário russo. Disse o petroleiro: “Isto não tem a menor importância: a Petrobras ganha isso em um mês!” Com isso, ele se mostrou um forte candidato ao Rincão dos Boçais criado por um membro da Rede Liberal.

Evo Morales mandou o exército boliviano para resguardar as refinarias de uma possível reação brasileira. Mas o que fez Lula? Absolutamente nada!, a não ser assumir uma atitude “caridosa” aplaudida pelos padrecos vermelhos e outros esquerdistas imbecilizados.
Lula disse que não se importava com a coisa, porque a Bolívia era um país pobre. Mas se ele continuasse torrando nosso dinheiro quem se tornaria um país mais pobre seria o Brasil.

Nossos hermanitos, que nos invejam e nos detestam, sempre fizeram proezas semelhantes. Lembro-me bem do gasoduto proposto por Chávez, saindo da Bolívia, atravessando o Brasil e chegando à Venezuela. Não foi novidade, uma vez que proposta da mesma cepa já havia sido feita ao Presidente Geisel.

E eis como ele respondeu: “E o que eu faço, se eles resolverem fechar a torneira? Mando o Exército Brasileiro lá para abrir?!
Felizmente, esse projeto do supergasoduto chavista não saiu do papel, porque se tivesse saído e a torneira fosse fechada, certamente não seria o invertebrado Lula que, apesar de ser o Chefe Supremo das Forças Armadas, mandaria o Exército lá para abrir!

Não obstante, Chávez fez o seu golzinho chorado quando fez um acordo com o Brasil para a construção da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, tendo em mente o refinamento do petróleo bruto venezuelano, o único que a Venezuela exporta e que custa muito mais barato do que o refinado. E, por isso mesmo, ele queria uma refinaria, para não ter que refinar seu petróleo no Monstruo, entenda-se: os EEUU.

A Petrobras iniciou a construção da refinaria, mas passou o tempo e Chávez morreu sem ter mandado um centavo da parte devida pela Venezuela. E não vou mencionar aqui o superfaturamento da Abreu e Lima, que faz parte das delações premiadas do Petrolão.

Todavia, passados alguns anos do patético episódio da expropriação boliviana, aconteceu algo muito mais grave do que simplesmente patético. Num discurso esfuziante e arrebatador na sede da CUT em São Paulo (SP), Lula disse – para quem quisesse e para quem não quisesse ouvir – que ele tinha dado de mão beijada as refinarias a pedido de Evo!
E mais: que a coisa tinha sido combinada com o índio cocalero, e a mobilização do exército boliviano não passou de uma encenação barata [destinada a um ganho político de Evo, o defensor dos interesses bolivianos, escusos ou não].

Temos assim um réu confesso de um crime de lesa-pátria e o meliante ainda anda solto por aí em sua campanha de “oposição” a Presidente em 2018. É dose! E o Ministério Público onde está? Assistindo tudo, com seus Procuradores não tendo achado nada!

Diante desses e de outros lamentáveis acontecimentos, tenho razões para acreditar que o trio fantástico: Foro de S.Paulo, MERCOSUL e UNASUL caminham unidos dentro do projeto da URSS requentado pela URSAS. E ainda tem muita gente que diz: “O Brasil não é a Venezuela”.
Eles estão certos. Só faltou acrescentar “ainda” ou “por enquanto”.

Mario Guerreiro
Doutor em Filosofia pela UFRJ

A Voz do Cidadão