quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Saco de Maldades



por Eliane Catanhêde

É sempre assim: quanto mais os governos erram, mais você, consumidor e contribuinte, paga a conta. Ou melhor, paga o pato.

Enquanto economista, Dilma Rousseff tirou uma nota sofrível no primeiro mandato, com crescimento praticamente zero, inflação no teto da meta, juros estratosféricos, balança comercial desbalanceada, desempenho fiscal mais do que constrangedor.

Enquanto ministra das Minas e Energia, chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras no governo Lula, ela não soube, não viu e não ouviu que a maior e mais simbólica companhia do país estava indo para o buraco, arrastando as maiores empreiteiras do país e ameaçando milhares de empregos.

Enquanto expert no setor elétrico, a presidente conseguiu, com uma canetada arrogante e voluntariosa, desestruturar todo o setor e deixar geradoras, transmissoras e distribuidoras tontas, desorientadas e com a contabilidade de pernas para o ar. Resultado: conta mais cara e apagão.

Mas, enfim, Dilma foi reeleita com os votos de pouco mais da metade dos eleitores e eleitoras e chegou ao segundo mandato diante de uma escolha de Sofia: cortar gastos, aumentar impostos ou as duas coisas simultaneamente.

Estava escrito nas estrelas que faria as duas coisas, apesar de todas as negativas na campanha e de ter acusado Armínio Fraga - eleito o vilão da história - de costurar o saco de maldades que ela mesma já alinhavava e agora joga na cabeça e nos ombros de quem consome e de quem paga impostos. E que impostos!

Sobram, portanto, irritação e indignação, mas não há um pingo de surpresa em todos os anúncios que a equipe de Dilma vem fazendo desde a eleição, enquanto ela mesma se esconde num silêncio ensurdecedor: “flexibilização” de direitos trabalhistas e previdenciários, tesourada até mesmo nos recursos da educação da “pátria educadora”, agora os aumentos de impostos e de tarifas e veto na correção da tabela do IR.

Os juros continuam arremetendo, ameaçadores, e sobem a tarifas de energia, de ônibus e da gasolina. Então, ficamos assim: quando o barril de petróleo disparava internacionalmente, a Petrobras represava politicamente o preço interno da gasolina; agora que o barril só despenca lá fora, a gasolina vai subir aqui dentro. Uma lógica para lá de curiosa.

Do ponto de vista político, contudo, Dilma Rousseff não precisa se preocupar muito. A indignação é generalizada entre os bem informados e que já estão sentindo as maldades pipocando dentro da bolsa ou do bolso, mas esses não têm articulação nem disposição para botar a boca no trombone. Contentam-se em ler ou ouvir um artigo ácido daqui, uma entrevista crítica dali.

Quem teria condições de catalisar a irritação, dizer poucas e boas verdades e pressionar o governo seriam CUT, UNE, MST e MTST, esse novo movimento paulistano dos sem-teto. Mas a cumpanheirada está na palma da mão de Lula, do PT, de Dilma, de verbas generosas de órgãos e empresas. É mais provável que justifiquem e até aplaudam aumento de impostos e tarifas! Sinal dos tempos. Tudo que seu mestre e sua mestra mandarem...

E o Congresso? Bem. O PT sozinho não dá para o gasto, mas o PMDB é forte e experiente, daqueles que choraminga, ameaça e pressiona, mas no final assegura as vitórias dos projetos, quaisquer projetos, do governo.

A isso some-se a saia justa da oposição. Como condenar as medidas que o tucano Aécio Neves, a sonhática Marina Silva ou qualquer um que vencesse a eleição teria que tomar, querendo ou não?

Levy armou-se até os dentes, o Congresso é dócil, a oposição está de mãos atadas, os movimentos sociais parecem saciados, ou cooptados. Dilma segue muda e incólume, como se não tivesse a menor culpa no que Marta Suplicy chama de “fracasso” da política econômica. Quem leva a pior? Você, claro. E vem mais por aí...

Eliane Catanhêde é Jornalista. 

"Estadão"  -  20 de janeiro de 2015.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os "petralhas"

15/01/2015
 às 15:33


PT tenta mudar o conteúdo da minha criação e transformar “petralha” em algo positivo


Por Reinaldo Azevedo

O PT resolveu mobilizar a sua tropa para mudar a imagem do partido. Sabem como é… Ultimamente, esses patriotas protagonizaram o caso dos aloprados, o do mensalão, o do petrolão… Nunca antes na história deste país, desde que criei o termo “petralha”, a palavra foi tão atual, tão presente, tão verdadeira.

Só para lembrar: o termo, já dicionarizado, junta as palavras “petista” e “metralha” — numa alusão aos Irmãos Metralha, a quadrilha. Desde o primeiro dia, deixei claro, o termo “petralha” não define todo e qualquer petista: só aqueles que justificam o roubo de dinheiro público. Alguém poderá dizer: “Ah, mas não existe petista de outro modelo”. Se não existir, então todos são mesmo “petralhas”.

A palavra incomoda. Sou alvo do ódio eterno da companheirada. A coisa pegou. Fugiu ao meu controle. Nem tanto porque eu seja influente, mas porque o petralhismo se tornou um norte moral da cambada.

Vejam isto:
Bom Petralha

Não pensem que se trata de uma piada — até é, mas involuntária. Essa é uma página do Facebook que pertence ao próprio PT. O partido decidiu mudar o sentido da minha criação, incorporando o “petralha” como coisa positiva.

Como bem notou a minha mulher, nem os companheiros tiveram a coragem de acrescentar o adjetivo “honesto” à lista de qualidades de um “petralha”…

Por Reinaldo Azevedo

Transcrito do site da VEJA, blog do Reinaldo Azevedo