segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O fim do feudalismo sem gallantry

Fernão Lara Mesquita

Não foi por acaso que a democracia nasceu nas Américas. No que ela tem de essencial, trata-se de um arranjo espontâneo entre iguais para a sobrevivência em territórios isolados e em condições adversas.

Como vamos nos organizar para termos o que comer e podermos nos defender neste fim de mundo”?

Era a essa questão muito prática que tratava de responder o Pacto do Mayflower (1620). Era a essa questão muito prática que tratavam de responder, 90 anos antes, os portugueses que instalaram em São Vicente a 1a Câmara Municipal da Terra de Santa Cruz (1530).
Durante 400 anos funcionou como um relógio a “democracia dos analfabetos” daquele Brasil das vilas esparsas, sem comunicação umas com as outras, pequenos mundos isolados onde a presença do governo de fora era rala ou inexistente e onde toda a economia e toda a autoridade política tinham de ser providas pelos próprios moradores. Do povo, pelo povo, para o povo…

Foi 1808 que veio truncar essa bela história. São os filhos do privilégio que vão escrever a história da contrarrevolução no Brasil.
O século 18 aporta na democracia instintiva do Norte a sua metade futuro. Renega formalmente o passado; sacraliza a livre circulação das ideias; elege o merecimento como única fonte de legitimação do poder e do dinheiro; proíbe proibir senão a exceção e o privilégio; trata de armar esse sonho das instituições capazes de materializá-lo e blindá-lo contra e acima das tentações do “lobo do homem”.

O século 19 provaria que não era ainda o suficiente. O poder político e o poder econômico compram-se favores. A corrupção reconstitui a força do privilégio. Tudo ameaça vir abaixo. É só na virada para o 20 que se consolida a revolução. O remédio, síntese de milênios de servidão, é de uma objetividade cristalina: para que seja estável o mundo dos cidadãos, tudo que é necessário é que seja essencialmente instável o mundo dos servidores do “Leviatã“. A legislação antitruste, o “recall“, as leis de iniciativa popular e o poder de veto às leis do legislador armam a mão dos oprimidos; dão ao povo a última palavra; é ele no poder.
A diferença que isso faria é a que grita ao mundo hoje…

Aqui a história foi outra. O século 18 aporta na democracia instintiva do Sul a sua metade passado. Asila no Brasil o absolutismo moribundo; demoniza a livre circulação das ideias; impõe o rei como única fonte de legitimação do poder e do dinheiro; proíbe tudo menos a exceção; trata de imortalizar o sistema atribuindo-lhe a elasticidade mole da complacência e dotando-o de um labirinto judiciário sem porta de saída que tudo mói em processos sem fim.

O século 19 provaria que não foi o bastante para matar o sonho. O Brasil americano insiste. Infiltrada pelos contrarrevolucionários “positivistas” que sentindo-a inevitável embarcam na mudança para sabotá-la, nasce afinal a Republica, vencida a escravidão. Mas é só um eco; faltam as instituições. Num hiato entre ditaduras Prudente de Morais e Rui Barbosa logram plantar o marco institucional da liberdade de empreender que faz nascer o Brasil moderno. Eterno refém da insegurança jurídica, porém, ele será mantido desde então – as veias sempre expostas – no limite da sobrevivência para sustentar o outro.

O sistema político da República permanece exatamente o mesmo do Império, com o Estado herdando as prerrogativas do imperador sobre os súditos. O povo — tanto o analfabeto quanto o que oficialmente “vota” — não participa do jogo. É convocado, de quatro em quatro anos, apenas para sacramentar a sucessão presidencial previamente acertada no circuito fechado dos chefes de partidos agora fazendo as vezes da Corte, e dispensado a seguir.

Na Primeira Republica segue o sistema do Imperador que quando, a seu talante, alternava os partidos na chefia do governo, “derrubava” os titulares de todos os cargos públicos para que fossem redistribuídos pelo novo contemplado. (“Governabilidade“). A única diferença é que a troca passa a se dar mediante uma “eleição” presidencial de que se conhecia o ganhador meses antes de votações abertamente fraudadas.

Depois dos 26 anos da ditadura Vargas, o que muda com a redemocratização, essencialmente, é que não sai mais da folha de pagamento do Estado quem quer que tenha conseguido por um pé lá dentro uma vez. Isso mergulha de vez num processo de entropia um sistema politico que sempre foi divorciado do povo. Cada vez mais explicitamente os novos interesses objetivos criados vão configurando as duas únicas classes sociais com interesses intrinsecamente conflitantes no panorama sociológico brasileiro: a dos que são sustentados pelo Estado, auferem e distribuem direitos especiais vitalícios e frequentemente hereditários que a Constituição de 88 virá a tornar “pétreos“, e a dos que sustentam o Estado e todos esses privilégios. Daí por diante, das prisões à renda per capita e ao resto do IDH, tudo será cada vez mais desigual para os habitantes desses dois brasis.

A chegada ao poder do PT, que se assume desde sempre como o campeão desse Brasil dos direitos especiais, leva o processo da entropia à fusão. Não ha saída com ele desse feudalismo sem “gallantry” dos partidos/quadrilhas hereditárias empenhados na conquista de “nobreza” (dinheiro e direitos especiais) pelo acumpliciamento a que chegamos. A “democracia” sem povo à brasileira, só de ida, esgota-se, com dois séculos de atraso, no seu próprio paroxismo.

É o fim de uma era. A meticulosidade do desastre lulopetista reitera que só existe um jeito de se construir uma nação: o difícil. Exaspera a ideia de voltar para trás mas isso já não é uma escolha. Não ha atalho possível. A História exige que todos os passos do caminho sejam trilhados. O Brasil terá de voltar à sua raíz americana; fazer as revoluções do século 18 e do século 19, ainda que acelerando o filme.
Democracia?

Faça você mesmo. “Recall“, iniciativa popular, referendo, e mãos à obra, pedra por pedra, a partir de onde se vive a vida real, que é o município. Não existe outro jeito.

VESPEIRO

Os grifos em vermelho são meus.(MBF).

Livros especiais - 54. “Salve-se Quem Puder – Uma história da especulação financeira” - Edward Chancellor.

Martim Berto Fuchs

01."Teoria da Organização Humana" - Antonio Rubbo Müller.
02. "A verdadeira história do Clube de Bilderberg" - Daniel Estulin.
03. "O Comitê dos 300", que revela as entranhas do Clube Bilderberg - Dr. John Coleman.
04. "O Instituto Tavistock de Relações Humanas - Conformando o Declínio Moral, Espiritual, Político e Econômico dos Estados Unidos da América"- Dr. John Coleman.
05. "O Instituto Tavistock" - Daniel Estulin.
06. "A Janela de Overton" - Glenn Beck.
07. "ILLUMINATI" - Paul H. Kochs.
08. "História Secreta do Brasil" - Gustavo Barroso.
09. “1808” – “1822” – “1889”  -  Laurentino Gomes.
10. "História Concisa da Revolução Russa" - Richard Pipes.
11. “História da GESTAPO” - Jacques Delarue.
12. “O Clã de Hitler”  -  Pablo Allegretti.
13. “A Chegada do Terceiro Reich”  -  Richard J. Evans.
14. "O Dinheiro do Mundo" - Jefrei Teodofit.
15 "Os judeus, o dinheiro e o mundo"- Jacques Attali.
16. "Mauá – Empresário do Império" - Jorge Caldeira.
17. "História Social e Econômica da Idade Média" - Henri Pirenne.
18. "Carlos Lacerda - Depoimento".
19. "Assassinato de Reputações–Um crime de Estado" – Romeu Tuma Junior.
20. "Um país sem excelências e mordomias" - Claudia Wallin.
21. "Um Estudo da História" - Arnold J. Toynbee.
22. "História da Civilização Ocidental  - volume I"  -  Edward McNall Burns.
23. "História da Civilização Ocidental – volume II" - Edward McNall Burns.
24. "História da Civilização" - Oliveira Lima.
25. “Uma História do Brasil”  -  Thomas E. Skidmore.
26. "Uma História da República" - Lincoln de Abreu Penna.
27. "CHINA – A corrida para o mercado" - Jonathan Story.
28. “CHINA – O passado e o futuro de um gigante”  -  Idaulo José Cunha.
29. "Ascensão e Decadência da Burguesia" - Emmet John Hughes.
30. “O Príncipe Vermelho”  -  Thimoty Snyder.
31. "Manifesto Comunista" - Karl Marx.
32. "Crítica ao Programa de Gotha" - Karl Marx.
33. "O Louco e o Proletário" - Emmanuel Todd.
34. "A Era das Revoluções" - Eric J. Hobsbawn.
35. "Depois do Império" - Emmanuel Todd.
36. "O Positivismo" - Augusto Comte.
37. “Os Pensadores” – Textos Selecionados  -  Max Weber.
38. "Fascistas" - Michael Mann.
39. "A Cartada da China"  -  John Enhrichmann.
40. "A Lanterna na Popa"  -  Roberto Campos.
41. “A Lei de Parkinson”  -   Cyril Northcote Parkinson.
42. “A Era das Incertezas”  -  John Kenneth Galbraith.
43. “A Sociedade Justa” – Uma perspectiva humana -  John Kenneth Galbraith.
44. “Sociedade Pós-Capitalista”  -  Peter F. Drucker.
45. “Depois do Capitalismo”  -  Seymour Melman.
46. "História Eclesiástica" - Abade Fleur.
47. “Os Manuscritos do Mar Morto”  -  Edmund Wilson.
48. "Holocausto Brasileiro" - Daniela Arber.
49. "Inquisição – O reinado do medo" - Toby Green.
50. "Do Contrato Social" - Jean-Jacques Rousseau.
51. “Do Espírito das Leis”  -  Montesquieu.
52. “História das Constituições”  - Marco Antonio Villa.
53. “A Riqueza e a Pobreza das Nações”  -  David S. Landes.
54. “Salve-se Quem Puder – Uma história da especulação financeira”  - Edward Chancellor.
55. “O Futuro da Democracia”  -  Norberto Bobbio.
56. “O Longo Século XX”  -  Giovanni Arrighi.
57. “A Liberdade”  -  John Stuart Mill.
58. “O Grande Jogo”  -  Demétrio Magnoli.

59. "The Black Pope" (O Papa Negro) - M. F. Cusack.
60. "As Deusas, as Bruxas e a Igreja" - Maria Nazareth Alvim de Barros.
61. "A Armada do Papa" - Os segredos e o poder das novas seitas da igreja católica. - Gordon Urquhart .
62. "Operação Cavalo de Troia" – volumes 1, 2 e 3 - J.J.Benítez.
63. "Azaléia Vermelha" - Anchee Min.
64. “O Quarto Protocolo”  -  Frederick Forsyth.  
        Págs: 46 à 56 e 71 à 78.
65. "A Dinastia de Jesus" - James D.Tabor.
66. "A Vida de Mahomét" – Émile Dermenghem.
67. “Liberte-se do passado”  -  Jiddu Krishnamurti.
68. “A Força”  -  Ian Mecler.
69. “O Segredo do Décimo Terceiro Apóstolo”  -  monge Michel Benoit

70. "O Livro dos Espíritos" - Allan Kardec
71. "O Livro dos Médiuns" - Allan Kardec
72. "O Sublime Peregrino" - Ramatis - psicografado por Hercílio Maes.
73. "Reencarnação" - Annie Besant.
74. "Reencarnação: o elo perdido do cristianismo" - Elizabeth C.Prophet & Erin L.Prophet.
75. "Casos sobre reencarnação – 4 volumes" - Ian Pretyman Stevenson.
76. "A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência" - José Reis Chaves - 6ª Edição – 2001.
77. "Recordando Vidas Passadas" - Dra. Helen Wanbach. (+ de 1.000 regressões em pacientes)
78. "Espíritos entre nós" - James Van Praagh.
79. "Nos Céus da Grécia" - James Van Praagh.
80. "A Vida Além da Sepultura" - Ramatis.
81. "A Vida no Outro Lado" - Sylvia Browne.
82. "A Noite de São Bartolomeu" – ditado pelo espírito Conde J.W. Rochester, psicografado por Wera Krijanowsky.
83. "O Faraó Mernephtah" – ditado pelo espírito Conde J.W.Rochester, psicografado por Wera Krijanowsky.
84. "A História de Joana d'Arc", ditada por ela mesmo - psicografia de Ermance Dufaux
85. "Realização da Divindade" - ditado pelo espírito de Vitor Hugo. Psicografado por Diamantino Coelho Fernandes.
86. "O Universo dos Espíritos" - D.Hemmert & A.Rondéne.
87. "Lições que a Vida Oferece"  -  pelo espírito Schellida - psicografia de Eliana Machado Coelho.
88. “Cidade dos Espíritos”  -  ditado pelo espírito Ângelo Inácio, psicografado por Robson Pinheiro.
89. "Psicoterapia Reencarnacionista" - Mauro Kwito.
90. "Muitas Vidas muitos Mestres" - Brian L.Weiss.
91. "Uma Prova do Céu – A jornada de um neurocirurgião à vida após a morte" - Dr. Eben Alexander III
92. "A Roda da Vida" - Elizabeth Kübler-Ross.
93. "Medicina Vibracional" - Dr. Richard Gerber.


94. "Mãos de Luz" - Bárbara Ann Brennan.
95. "Reiki" - Pe. Mikao Usui.
96. "Espaço-tempo e além" - Bob Toben e Fred Alan Wolf.
97. "Quem Somos Nós ?" - William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente.
98. "O Universo Holográfico" – Michael Talbot.
99. "A Experiência da Intenção" - Lynne Mc Taggart.
100. "2012 – A Era de Ouro" - Carlos Torres & Sueli Zanquim.
101. "2012 – A História" - John Major Jenkins
102. "A física da alma" - Amit Goswami
103. "Depois da Morte" - Léon Denis.
104. "Viagem Espiritual" - psicografado por Wagner Borges. Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas.
105. "Viagens fora do Corpo" – Robert A. Monroe.
106. "Viagens além do Universo" – Robert A. Monroe.
107. "A Última Jornada" - Robert A. Monroe.
108. "Viagem Astral" - Gavin e Yvonne Frost.

109. "O Poder da Comunicação" - Joel Lewey e Michelle Lewey.
110. "Sadhana: o Caminho Interior" -Sathya Sai Baba, tradução assinada pelo Professor Hermógenes.
111. "Autobiografia de um IOGUE" – Paramahansa Yogananda.
112. "Apometria – "Espírito/Matéria: Novos Horizontes para a Medicina" - Dr. José Lacerda de Azevedo.
113. "Apometria" - Holus Editora - J.S.Godinho.

"A maior de todas ignorâncias é rejeitar uma coisa sobre a qual você nada sabe"  -  H. Jackson Brown.

"Depois dos 40, ninguém gosta de reformar os seus conhecimentos, porque os velhos erros são mais cômodos do que as novas verdades"  -  Fritz Kahn.