domingo, 3 de setembro de 2017

Guru do Google desafia pequenas empresas brasileiras a dividir lucro para crescer

Naiady Piva
(*)

A ideia parece maluca, mas Neil Patel promete revolucionar a empresa que for selecionada. Inscrições vão até 24 de setembro

Para empresas pequenas, todo lucro é pouco. Entra pouco. Sai menos ainda. Mesmo assim, o um guru americano garante que dividir o lucro com os funcionários é a fórmula do sucesso. Neil Patel tem Google, Amazon e General Motors no currículo. E agora desafia uma empresa brasileira a seguir seus passos. 

A ideia parece maluca. A participação nos lucros e resultados costuma ser privilégio das gigantes. São empresas que faturam tanto, que não sentem cócegas quando separam uma parte do seu lucro para retribuir os funcionários que trabalharam duro por aqueles resultados. 

Então qual a vantagem de uma pequena empresa dividir seus lucros? 

Veja o que diz Neil Patel, que conversou com a Gazeta do Povo: 
É justamente neste ponto que queremos sensibilizar os empresários: uma empresa cresce com o suporte de um bom quadro de colaboradores. A equipe, que se dedica diariamente ao negócio, merece ficar com parte do lucro, sim. Isso beneficia a empresa em vários aspectos, como: comprometimento, produtividade e menor rotatividade de funcionários. 
Na prática, a empresa vai economizar, diz ele. Isto porque ela retém bons profissionais, e não precisa gastar treinando gente nova o tempo todo: 

Às vezes uma empresa cresce, faz investimentos estruturais, contrata bons profissionais, mas, em pouco tempo, não consegue segurá-los devido à baixa competitividade no mercado no que diz respeito a salários e benefícios. Pesquisas apontam que a remuneração paga pelas micro e pequenas é 28,8% menor se comparado com as grandes empresas.
Mas quanto do seu lucro a empresa deve dividir? Isso depende. Dos números da empresa e de como ela se organiza. Uma empresa pode faturar milhões, mas não ter um lucro expressivo, por exemplo. Patel não revela como fez essa divisão nas empresas para as quais já prestou consultoria, por questões contratuais.

Desafio Patel 
Até o dia 24 de setembro, empresas brasileiras podem se inscrever no Desafio Patel, e concorrer a uma consultoria gratuita do guru norte-americano. 

Para participar, basta ser uma empresa com CNPJ brasileiro, e disposta à divisão de lucros. 
Buscamos empresas que têm mentalidade aberta para um crescimento via internet e marketing digital. 

A vencedora ganha uma consultoria completa, com todas as estratégias de marketing definidas por Patel e por sua equipe no Brasil. O cadastro pode ser feito na página do desafio 

Quem é Neil Patel? 
Guru do marketing, Neil Patel já foi, ele próprio, um viral na internet. Tudo começou em 2014, quando algumas celebridades na internet postaram fotos com a hashtag "#whoisneilpatel". Em português: #QuemÉNeilPatel. 
A resposta foi imediata. Muitos fãs viram a hash e correram para o Google. As buscas por "Quem É Neil Patel" cresceram. Era uma arapuca marqueteira. Quem digitava caía no próprio site de Patel, que ganhou relevância no Google. 

Patel fez propaganda dele mesmo. O que faz sentido, já que é um profissional do marketing. Mas ele também tem outras credenciais, além das dele próprio: o Wall Street Journal o considera o influenciador digital número um da internet, a Forbes o colou no top 10 do marketing digital, e o Barack Obama o colocou na lista de 100 empreendedores com menos de 30 anos. 

No Brasil, Patel tem um escritório da sua consultória. Ele também lançou por aqui uma versão traduzida da sua hashtag, que foi publicada por celebridades do Instagram local.

Gazeta do Povo
Curitiba

(*) Comentário do editor do blog-MBF:  Em Capitalismo Social defendo há 42 anos essa tese “dividir o lucro para crescer”. Não só pelo aspecto econômico, como exposto agora por Neil Patel, e que já é um excelente motivo, mas também pela justiça social.
As perguntas que faço são:
- Por que só o capital deve usufruir do lucro, se sem o trabalho ele deixa de existir ? Salvo, é claro, no neoliberalismo do Sr. Milton Friedman, onde dinheiro gera dinheiro, sem produção, ou, gera papel pintado e resultados previsíveis como o de 2008. Muitos perderam para que poucos pudessem ganhar. E depois ainda se queixam que o moribundo comunismo ainda permanece aterrorizando.
- O que significaria para a produção das empresas se os trabalhadores tivessem uma renda maior para consumir, mas renda não advinda de aumentos salariais acima da inflação ou mesmo de produtividade, mas sim da sua parte nos resultados das empresas, que eles, assim como o capital, ajudaram a construir ?
- O que significaria para as empresas e seus acionistas – para o capital -, se seus trabalhadores trabalhassem motivados e a favor da empresa em vez de contra, via de regra acatando a orientação das Centrais Sindicais pelegas e se escorando na “Justiça Trabalhista” ? Significaria a diminuição de custos pelo aumento de produtividade, objetivo de qualquer empresário privado.
Capitalismo Social sugere o percentual: 50% do lucro para o capital e 50% do lucro para o trabalho. Um não existe sem o outro.


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