quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Novas tecnologias, velhos problemas

Fernão Lara Mesquita
(*)

Estive segunda-feira, 19, em Belo Horizonte para o 7º Fórum Liberdade e Democracia do Instituto de Formação de Líderes. Bom ver empresários investindo tempo, dinheiro e competência não só para melhorar o Ebitda do próximo exercício mas para tornar o meio ambiente intelectual e institucional brasileiro tão acolhedor para o empreendedorismo, a inovação e a criação de empregos e riqueza quanto já foi quando crescíamos mais que o resto do mundo.

Reconfortante reencontrar um Brasil preocupado em “cultivar”, conceito que para além do de plantio embute o de educação para o melhoramento de “sementes” e o bom desenvolvimento delas, depois desses anos todos de usurpação da cena pelo “extrativismo selvagem” desses personagens sinistros da beira da economia privada que encosta na politicalha para assaltar o Estado e submeter a Nação pela corrupção.

Não ha outro caminho senão um esforço metódico de reeducação promovido pelo Brasil que presta para reconstruir sua identidade perdida e retomar o protagonismo para reerguer o país do tsunami de amoralidade em que se afogou.

Por todo o medo misturado a encantamento que despertam era inevitável que num evento sobre “Liberdade de Escolha na Era da Inovação” as novas tecnologias, neste limiar da conquista da autonomia do seu próprio desenvolvimento futuro com o advento da inteligência artificial predominassem nas apresentações. A “liberdade de escolha” ficou como de fato está no mundo do aqui e agora: no segundo plano a que a relegou a inexorabilidade dessa revolução para a geração “que testemunhará a morte da morte pelo desenvolvimento da medicina e da biogenética em menos de 30 anos” e passará a “viver para sempre” numa ainda indefinível conjuntura da qual estarão ausentes todas as estruturas conhecidas de produção e de trabalho…

...ausentes estas mas com certeza não, é bom não esquecer, a eterna força de corrupção que “O Poder” exerce sobre nossa espécie…

Ha muita confusão no ar. O fato da tecnologia estar provocando a “disrupção” dos poderes do Estado Nacional não é uma notícia tão boa como pode parecer à primeira vista para todos quantos têm bons motivos para festejar a queda dos seus antigos algozes. Esses poderes estão apenas sendo substituídos por outros ainda mais amplos. A tecnologia muda muita coisa mas não muda a natureza humana. E a única que não tem visto qualquer desenvolvimento desde a sua versão “ponto3” que data de 1776 (Atenas, Roma, Inglaterra/EUA) é a que trata de manipular essa natureza para permitir ao homem proteger o homem do homem, dita “democracia”. Nada melhor foi inventado ainda.

Acontece que a liberdade se materializa, dentro das sociedades economicamente orientadas em que nos congregamos, essencialmente nas nossas dimensões de produtores e consumidores. Nada da vasta coleção de “direitos” que se abrigam por baixo do grande chapéu da “cidadania” se transforma em realidade palpável se não houver um grau suficientemente amplo de opções de livre inserção e mobilidade nos universos do trabalho e do consumo.
Isso é ponto pacífico, conforme já ficou provado com rios de lágrimas e sangue, mas não é tudo.

Tendo assumido a forma que lhe deu a elite intelectual do Iluminismo que emigrou para o “Novo Mundo” em função do “milagre” da disseminação da propriedade da terra em pleno feudalismo europeu que a “descoberta” da América ao norte da nossa proporcionou, a História permite afirmar com segurança que a “democracia.3” foi antes a resultante que a causadora daquele inédito processo de distribuição de riqueza. O processo de reconcentração da propriedade chegou, entretanto, ao auge nos Estados Unidos da virada do século 19 para o 20. Para salvar da morte o capitalismo que a democracia engendrou pela retirada do apoio popular que teve durante a fase de aumento da riqueza coletiva, a legislação antitruste foi adicionada à receita original. Essa reforma estabeleceu, agora formalmente, a preservação das liberdades essenciais de escolher um trabalho e negociar preços justos com uma multidão de fornecedores sem as quais nenhuma outra se estabelece como o “Valor nº 1” do sistema, acima até das conquistas do indivíduo pelo merecimento que definem a revolução americana.

Só que a diluição da “democracia.3” no oceano sem fim da miséria dos egressos do socialismo que a internet derramou da Ásia para os mercados de trabalho e de consumo planetários a partir dos anos 80 do século 20, agora sem leis nem fronteiras, empurrou o que foi o capitalismo democrático de volta para a competição sem limites que tende aos monopólios e quase o matara um século antes.

A sinuca sintetizada na alternativa “crescer ou morrer» é de longe o maior desafio que a causa da liberdade já enfrentou. Se Estados Nacionais desenfreados como o brasileiro têm o poder de dar ou tirar a condição de sobrevivência econômica do indivíduo, as gigantescas entidades globais que as novas ferramentas engendraram e engolem tudo à sua volta em escala planetária e à força de bilhões terão amanhã, como demonstraram muito convincentemente os entusiastas das novas tecnologias no evento de Belo Horizonte, o poder de prover ou negar até a vida eterna a quem lhes interessar possa.

Foi sempre complicada essa história de homens que, por não serem anjos, requerem ser governados por outros homens que não são anjos de que falava James Madison. Agora que é de toda a humanidade que se trata não ficou mais fácil. Mas tanto a doença quanto o remédio continuam sendo os mesmos de sempre: “democracia“, com pesos e contrapesos, na economia inclusive e principalmente.

O consolo para os últimos da fila, como nós, é poderem sempre copiar o que já está feito e deu certo como fizeram os japoneses, os coreanos e estão fazendo os chineses, e passar voando por cima dessa anacrônica miséria a que nos deixamos reduzir para nos juntarmos ao resto da humanidade no enfrentamento apenas dos problemas que ainda não se sabe como resolver. Basta quere-lo o bastante.

Vespeiro

(*)Comentário do blog:  No Brasil existe um problema, desde antes das esquerdas terem voz ativa: chama-se governo. Nossas elites, também as de direita, são pródigas em se servir dos cofres públicos.
Antes do comunismo ser implantado na Rússia, 1917, já trabalhávamos para sustentar o governo como fim em si mesmo, sem ainda os esquerdistas colocando em prática suas aberrações. Claro que, com eles no poder, tivemos que trabalhar dobrado para sustentá-los também.
Antes de nos fixarmos apenas na irracionalidade da esquerda, seja como governante ou apenas pelas suas idéias sem nexo, temos que aceitar que nossos "liberais" não são muito melhores. Chegaremos mais facilmente à soluções, se aceitarmos esta verdade.(MBF).


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Mais de 100 concursos públicos oferecem 14 mil vagas

Lorena Pacheco
(*)

Os concurseiros de plantão devem ficar atentos às vagas com inscrições abertas. No momento, mais de 100 processos seletivos oferece cerca de 14 mil vagas. O destaque maior vai para a seleção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que oferece 78 vagas de nível médio, mas quem paga o maio salário é o Ministério Público Federal, que vai remunerar os novos procuradores com salário inicial que ultrapassa os R$ 28 mil.

Avalie abaixo as opções e concorra. 

Anvisa
Organizado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), o novo concurso da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oferece 78 vagas e conta apenas com provas objetivas e discursivas. O cargo oferecido é o de técnico administrativo, posto exige nível médio de formação, com remuneração de R$ 6.002,14 correspondente a 40 horas de trabalho semanal. Do total de vagas, 16 são para negros e quatro para deficientes. Quem quiser concorrer ao cargo deverá pagar taxa de R$ 70. Como adiantado pelo Correio, os aprovados serão lotados em Brasília. As inscrições poderão ser feitas de 9 a 29 de setembro.

MPF
Há 82 vagas abertas no Ministério Público Federal para quem sonha em ser procurador da República. As chances são destinadas a formados em direito, com no mínimo três anos de atividades jurídicas. O subsídio inicial do posto é de R$ 28.947,55. A seleção será dividida em prova objetiva em 27 de novembro, quatro provas subjetivas – uma de cada grupo de disciplinas, definidos no edital –, prova oral de cada disciplina e aferição de títulos. As pré-inscrições podem ser feitas até 28 de setembro, sob o valor de R$ 250.

Dataprev
A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) abriu processo seletivo para formar cadastro reserva de 1.703 profissionais, regidos pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) - o prazo de validade para o chamamento dos aprovados é de dois anos, com possibilidade de prorrogação por igual período. Os salários básicos variam de R$ 2.510,03 a R$ 5.915,09, além de adicional de atividade (que pode chegar a R$ 792,27) e auxílio alimentação (R$ 852,24). Sob a organização da Cetro Concursos, a seleção aceita inscrições de candidatos interessados até 7 de outubro. As taxas variam de R$ 80 a R$ 100. Os aprovados serão lotados em Brasília, que detém 125 oportunidades, além de Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa e Natal.

Veja mais concursos com inscrições abertas:

Tribunal Eleitoral de São Paulo 


Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro 


Polícia Militar de Goiás 

Tribunal do Trabalho da 20ª Região 


Tribunal Eleitoral de Pernambuco 

Fiocruz

Correio Brasiliense/Concursos Públicos


(*)Comentário do blog:  a maior agência de empregos do Brasil chama-se Concursos Públicos.

MPF-Ministério Público Federal, mais 82 vagas. Fazendo uma analogia, a questão que coloco é a seguinte:
- Adiantaria formar novos policiais, se eles ficassem impedidos de ir às ruas, ficando restritos aos gabinetes ?

Fora da Lava-Jato, e mesmo nesta, quantos políticos bandidos – quase uma redundância - foram presos ? Quase a totalidade dos processos são engavetados e acabam prescrevendo, uma vez que a “justiça” tem prazo para se pronunciar.
A questão não é aumentar o número de procuradores. Eles procuram e encontram, mas à partir daí o assunto é “convenientemente” esquecido.
Esta é a questão. Mas enquanto não atacarem as causas desses problemas, o custo da máquina pública continuará aumentando, quando deveria diminuir.

E, a Assembléia Legislativa do RJ, precisa de mais “funcionários” ? Não sei se rio ou choro. Deve ser para efetivar apadrinhados, assim como nos concursos do Senado.