domingo, 21 de dezembro de 2014

Ramatís, Um Mestre da Síntese Oriente-Ocidente

- Por Wagner Borges -

Ramatis
Ramatís é bastante conhecido nos meios espiritualistas brasileiros e dispensa maiores apresentações. É um dos principais artífices da fusão Oriente-Ocidente, aqui no Brasil. Seus livros contam entre os mais vendidos nas livrarias especializadas, com várias reedições de cada volume, e isso já há várias décadas.
Objetivando dar ao leitor maiores informações a respeito de Ramatís (1), vamos reproduzir as informações precisas de Hercílio Maes, principal médium que recebeu as mensagens de Ramatís, na abertura do livro "Mensagem do Astral":
"Ramatís viveu na Indo-China, no século X, e foi instrutor em um dos inumeráveis santuários iniciáticos da Índia. Era de inteligência fulgurante e desencarnou bastante moço. Espírito muito experimentado nas lides reencarnacionistas, já se havia distinguido no século IV, tendo participado do ciclo ariano, nos acontecimentos que inspiraram o famoso poema hindu ‘Ramaiana''.
Foi adepto da tradição de Rama, naquela época, cultuando os ensinamentos do ‘Reino de Osíris', o senhor da Luz, da inteligência e das coisas divinas. Mais tarde, no Espaço, filiou-se definitivamente a um grupo de trabalhadores espirituais, cuja insígnia, em linguagem ocidental, era conhecida sob a pitoresca denominação de ‘Templários das Cadeias do Amor'. Trata-se de um agrupamento quase desconhecido nas colônias invisíveis do Além, junto à região do Ocidente, onde se dedica a trabalhos profundamente ligados à psicologia oriental. Os que lêem as mensagens de Ramatís e estão familiarizados com o simbolismo do Oriente, bem sabem o que representa o nome ‘RAMATYS', ou ‘SWAMI SRI RAMATYS', como era conhecido nos santuários da época. É quase uma ‘chave', uma designação de hierarquia ou dinastia espiritual, que explica o emprego de certas expressões que transcendem às próprias formas objetivas.
Fomos informados de que após significativa assembléia de altas entidades, realizada no Espaço, no século findo (séc. 19), na região do Oriente, procedeu-se a fusão entre duas importantes ‘Fraternidades' que dali operam em favor dos habitantes da Terra.
Trata-se da ‘Fraternidade da Cruz', com certa ação no Ocidente, que divulga os ensinamentos de Jesus, e da ‘Fraternidade do Triângulo', ligada à tradição iniciática e espiritual do Oriente.
Após a memorável fusão dessas duas Fraternidades Brancas, consolidaram-se melhor as características psicológicas e o objetivo de seus trabalhadores espirituais, alterando-se a denominação para ‘Fraternidade da Cruz e do Triângulo'. Seus membros, no Espaço, usam vestes brancas, com cintos e emblemas de cor azul-clara esverdeada. Sobre o peito, trazem suspensa delicada corrente como que confeccionada em fina ourivesaria, na qual ostenta-se um triângulo de suave lilás luminoso, emoldurando uma cruz lirial. É o símbolo que exalça, na figura da cruz alabastrina, a obra sacrificial de Jesus e, na efígie do triângulo, a mística oriental.
Alguns videntes têm confundido Ramatís com seu fiel discípulo do passado, que o acompanha no Espaço, também hindu-chinês, conhecido por Fuh Planuh, e que aparece com o dorso nu, singelo turbante branco em torno da cabeça e, comumente, com os braços cruzados sobre o peito. É também um espírito jovem na figura humana, embora conserve reduzida barba de cor escura, que lhe dá um ar mais sisudo."
 
* * *
 
Meu contato com Ramatís iniciou-se no ano de 1981.
Naquela época, com 19 anos, li pela primeira vez um livro seu, o ótimo "Elucidações do Além". Imediatamente, fiquei cativado pelos seus conceitos ecléticos sobre espiritualidade e senti-me plenamente identificado com eles. Sentia dentro de mim uma grande afinidade por aquele espírito e suas idéias. Ao olhar seu rosto (magnificamente desenhado pela médium Dinorah S. Enéias) na capa do livro, senti intuitivamente que, de alguma maneira, eu o conhecia profundamente.
Por essa época, eu freqüentava o grupo espírita "Fraternidade André Luiz" (2) no bairro da Penha, no Rio de Janeiro. Na primeira vez que estive lá, fiquei agradavelmente surpreso, pois havia na câmara de passes do centro uma ilustração ampliada do rosto de
Ramatís, em uma das paredes da sala. Além dela, havia a ampliação das ilustrações do duplo etérico e dos chacras, extraídas também do livro "Elucidações do Além".
Em 17 de dezembro de 1982, vi Ramatís pela primeira vez. A essa altura, eu já era um médium desenvolvido e bem ativo nas sessões de desobsessão. Entretanto, mesmo com a mediunidade e as experiências extracorpóreas a pleno vapor, não tinha bem desenvolvida a clarividência, como a tenho hoje. Divisava os espíritos de maneira difusa e percebia mais pela intuição do que pelas sensações mediúnicas. Porém, nesse dia, consegui ver bem nitidamente o rosto de Ramatís por duas vezes. Era dia de sessão de desobsessão e eu era um dos médiuns de incorporação (psicofonia) do grupo. Perto do fim da sessão, repentinamente surgiu a minha frente uma luz dourada e bem no meio dela o rosto de Ramatís, que olhava-me serenamente. Imediatamente, exteriorizei energia em sua direção, pois podia ser apenas uma forma-pensamento plasmada no ambiente, talvez até mesmo emanada inconscientemente por mim mesmo. No entanto, a figura não se desvaneceu, como era de se esperar de uma forma mental. Pelo contrário, ficou mais nítida e seus olhos começaram a emanar um brilho intenso. Senti-me invadido por uma onda de ternura que liquidou qualquer dúvida. Ele deu um leve sorriso e lentamente foi desaparecendo.
Pouco depois, ele apareceu novamente, dessa feita, ao meu lado direito. Nesse instante, senti um jato de energia me varrer de cima a baixo e vi uma intensa luz dourada emanar de todo meu corpo.
Senti-me como que eletrificado e, ao mesmo tempo, super lúcido. Envolvido por toda aquela energia, quando dei por mim, ele já havia desaparecido.
Momentos depois, como que para me tirar qualquer dúvida, um dos melhores médiuns do grupo incorporou um dos guias espirituais da casa, que, através da psicofonia, informou a todos os presentes que o espírito de Ramatís estivera presente na reunião.
Esse fato veio corroborar a minha certeza, pois eu ainda não tinha falado para ninguém o que havia visto pouco antes.
Com o passar do tempo, fui lendo todos os seus livros e, ocasionalmente, pressentia intuitivamente sua presença ao meu lado, sem contudo vê-lo.
Posteriormente, a partir de 1985, através da ativação do chacra frontal (3), levada a cabo mediante concentração e exercícios energéticos diários, desenvolvi a clarividência e, gradativamente, comecei a divisar vários espíritos que orientavam-me. Dentre eles, o querido Ramatís, que comecei a ver freqüentemente, e que começou a orientar-me na atividade espiritual. A partir de 1987, esse contato espiritual aumentou bastante, pois além de vê-lo pela clarividência, comecei a encontrá-lo diretamente no plano extrafísico, através das minhas viagens fora do corpo.
Nunca me esqueço das duas vezes em que ele me levou projetado fora do corpo em uma excursão extrafísica ao fundo do mar. E nem do mês de agosto de 1987, quando ele e sua turma de discípulos hindus desencarnados projetaram-me para fora do corpo, e, em trinta noites consecutivas de projeção astral consciente, levaram-me em excursões extrafísicas de estudos aos vários níveis do plano extrafísico. Nessas projeções, vi de tudo, desde as sombrias paisagens do umbral espiritual (plano extrafísico atrasado), até as luminosas paisagens do plano extrafísico avançado, já nolimiar do plano mental, onde vi espíritos que eram luz pura.
Ao longo de várias outras experiências, descobri que tenho ligações profundas com o trabalho de Ramatís já há várias vidas; por isso, a afinidade espiritual com ele, agora na presente vida.
Em 1988, surgiu a oportunidade de me transferir do Rio de Janeiro para São Paulo, onde eu poderia expandir melhor meu trabalho com os cursos de experiências fora do corpo e chacras.
Consultei Ramatís a esse respeito e ele respondeu-me o seguinte: "Pouco importa o lugar onde você estiver. O importante é fazer um trabalho espiritualista sadio e honesto, visando o esclarecimento espiritual da humanidade. Seu trabalho é difundir os conhecimentos espirituais pelo orbe terráqueo. Por isso, não seja somente um técnico em projeção da consciência (4), que é a área que você mais aprecia. Estude de tudo e mantenha sempre a consciência aberta para todas as filosofias espiritualistas. Entre nas universidades, mas não se esqueça do terreiro de umbanda, do centro espírita, do templo budista, da loja maçônica, da loja rosacruz, do grupo teosófico, da academia de Ioga e dos grupos espiritualistas em geral.
Mantenha-se à margem de qualquer injunção sectarista em seu trabalho e procure adaptar seus conhecimentos das saídas do corpo ao conhecimento tradicional do Espiritualismo como um todo.
Exponha os conhecimentos de maneira simples, clara e objetiva, para que todos possam entender. Você será criticado por isso, mas não ligue. A cada crítica, dê como resposta TRABALHO, TRABALHO, TRABALHO..."
 
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Achei melhor dar todos esses detalhes sobre o meu envolvimento com Ramatís para que o leitor possa entender melhor o contexto deste livro como um todo.
 
Paz e Luz!
(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual - I" - Wagner Borges - Editora Zennex - 1993.)