sexta-feira, 24 de março de 2017

As apropriações da esquerda nacional

Adriana Lisboa

A esquerda nacional é especialista em apropriações.

Não está neste escopo apenas o dinheiro, o bem material e palpável.

Ela rouba a necessidade dos pobres, não para solucioná-la, mas para usá-la em seu discurso histérico e repetitivo.

Ela se apropria da verdade, manipulando os meios de comunicação, através de jornalistas e articulistas sordidamente comprados ou lamentavelmente obtusos. Mas em geral ambas as coisas.

Se apropria da oposição política, fingindo ser oposição até mesmo quando é governo. Compra os opositores, quando são apenas meros locatários de suas representações políticas.

Se apropria da dignidade e do respeito da nação, se envolvendo num infindável novelo de escândalos.

Se apropria do futuro da sociedade, jogando os contribuintes num mar revolto de gastos sem controle, de roubalheira e de corrupção.

Se apropria do mérito, da inteligência, do conhecimento, aparelhando o ensino com gente sem disposição de ensinar, apenas com a disposição de doutrinar.

A voracidade é tanta e tão patética, que eles se apropriaram da inauguração de uma obra já inaugurada. Além dos infindáveis episódios de inauguração de obras inacabadas.

Ela sequestrou os negros, os índios, os LBGT, as mulheres...sem melhorar uma vírgula sequer, a realidade de vida dessas pessoas e sem que ninguém tivesse passado procuração pra que essa esquerda os representasse. Ela se apodera "coletivamente", justamente para se eximir dos danos individuais que ela mesmo causa.

Espero que em algum momento, a sociedade enxergue, que é desnecessário e infrutífero eleger este tipo de gente, que apenas toma sem dar nada em troca.

Adriana Lisboa
Médica em Santa Catarina

Alerta Total

quinta-feira, 23 de março de 2017

Estado Tutor e Grupos Econômicos

Hélio Duque

O padrão tóxico que mergulhou a economia brasileira na maior recessão da vida republicana tem muitos responsáveis. O mais destacado foi o governo ilusionista que acreditava em soluções mágicas em cenário populista. O Executivo, ao nocautear a realidade fiscal na euforia dos gastos irresponsáveis, de um lado e do outro, o Legislativo, de péssimo nível, foi transformado em balcão de negócios, tão bem retratado na Lava Jato.

A sociedade brasileira, igualmente, pela sua maioria dormitava no sono profundo do otimismo nefasto construído pelos marqueteiros do poder. A ilha da fantasia edificada em soluções mágicas garantia popularidade ao governo na sustentação de uma política econômica equivocada que não pouparia nenhum setor produtivo.

Omite-se a responsabilidade dos grandes empresários na construção desse desastre histórico. Ela não é marginal. Ao contrário, auferiu de vantagens, engordando os seus lucros, ampliando a concentração da renda nacional, penalizando a população. O jornalista Fábio Zanini, no livro “Euforia e Fracasso do Brasil Grande – Política Externa e Multinacionais Brasileiras na Era Lula” destaca: “A reboque da sua figura hiperativa (a de Lula) vieram empreendedores e aproveitadores na construção civil, no agronegócio e no setor petrolífero, entusiasmados com o novo ambiente de permissividade que se instalava.” A promiscuidade geradora de corrupção no contubérnio governo e mundo empresarial no Brasil, infelizmente, é herança histórica. Empenham-se nos esquemas de proteção e na economia fechada à competição.
                  
O economista Rogério Werneck, professor da PUC-Rio, em “O Globo” (27-1-2017), dimensiona essa herança: “O segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se do patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado”. Esse dirigismo estatal, pela dependência aos governos de plantão, não gera crescimento econômico sustentável. É, na verdade, uma poderosa matriz para a sustentação de uma realidade onde a corrupção prospera e alimenta as elites do poder e dos negócios, ignorando a opinião pública.
                  
Retrata um capitalismo atrasado, observado pelo empresário Pedro Luiz Passos: “Olhando-se do alto a estrutura da economia brasileira, constata-se que parte da atividade produtiva integra o setor extrativista, pois dedica-se a extrair renda da sociedade à custa de artifícios, não de sua eficiência empresarial nem de seus diferenciais tecnológicos. A revisão do infindável elenco de incentivos de todo tipo é muito bem vinda.”
                  
Por exemplo, as reinvindicações recorrentes do grande mundo empresarial e atendidas pelos governos Lula-Dilma, forçara a derrubada artificial da taxa de juros, acreditando que garantiria a elevação da competitividade das empresas. O artificialismo produziu efeito contrário com a desvalorização do real. Na mesma direção, o congelamento das tarifas de  energia elétrica e dos derivados de petróleo, foi unanimemente aplaudida. Na época, a poderosa Federação da Indústria de São Paulo, em matéria paga nos jornais, aplaudiu e comemorou como vitória aquelas conquistas. As contas nacionais, nesse mesmo período, já demonstravam sinais de debilidade. Paralelamente a redução dos tributos para as montadoras de automóveis, dos materiais de construção, garantia o fuzilamento da política fiscal e, por consequência, das contas públicas. O setor industrial conseguiu a distribuição de subsídios ao crédito de longo prazo não apenas no BNDES, mas igualmente em outros bancos públicos.
                  
O atendimento pelo governo, das reivindicações de renúncia fiscal, ajudou a desestabilizar a política econômica. As lideranças classistas, empresariais e sindicais, apoiaram a “nova matriz econômica” e o surgimento das apelidadas “campeãs do desenvolvimento”, onde o símbolo era Eike Batista. O resultado final engolfou a todos: governo, empresários, trabalhadores e sociedade na realidade da recessão econômica que estamos vivendo.
                  
Por fim, o improviso privilegiador dos grandes grupos econômicos e afins, levou à queda dos investimentos, desemprego na escala recorde, endividamento pelo crédito fácil às famílias. O resultado da pajelança econômica comprovou que a visão de curto prazo na economia, é rota segura para o inferno.

Catve.com